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Este ano promete ser marcado pela redução da distância entre as expectativas e a realidade da inteligência artificial (IA) e avanços significativos, embora o desafio ainda não esteja totalmente superado. O foco estará em tornar a IA amplamente utilizável, impulsionando sua adoção em larga escala. Essas são algumas das principais tendências para o setor de tecnologia, mídia e telecomunicações apontadas pelo estudo “TMT Predictions”, da Deloitte.
 

“Este deve ser o ano dos alicerces, de trazermos uma visão voltada para a prática e aplicabilidade. Em 2025 tivemos um ano piloto e de experimentação, em que foi discutido todo o potencial da IA. Mas vimos que ainda há um passo anterior de organização de dados, de treinamento de modelos e de análises que é fundamental para destravar o que a inteligência artificial pode trazer. Então esperamos que em 2026 seja encurtada essa lacuna entre a potencialidade e as possibilidades reais atualmente da IA”, comenta Ronaldo Fragoso, sócio-líder para a indústria de Technology, Media & Telecommunications da Deloitte Brasil.
 

Segundo o estudo, 2026 será um ano decisivo para o avanço dos agentes de inteligência artificial e para o crescimento expressivo do setor de Tecnologia, Mídia e Telecomunicações (TMT). Esse setor se destaca por fornecer não apenas equipamentos, como softwares e hardwares, mas também serviços tecnológicos essenciais para todas as demais indústrias. Dessa forma, a expectativa é que o segmento de TMT ultrapasse os demais setores combinados em valor de mercado e ritmo de expansão econômica, consolidando-se como motor principal do desenvolvimento tecnológico e da inovação em escala global.

“As outras indústrias, no entanto, mantêm um papel fundamental nessa evolução. É por meio do trabalho colaborativo que vamos conseguir prever e aprimorar os agentes e tendências de IA e da IA generativa. Setores como energia, mineração, química, serviços públicos, construção, manufatura e saúde são parceiros essenciais para o desenvolvimento da inteligência artificial”, afirma.
 

O estudo da Deloitte destaca, ainda, 13 tópicos importantes para 2026 dentro do setor de TMT, sendo que mais de metade está relacionada a algum tema ligado à inteligência artificial. “Essa indústria possui inúmeras possibilidades uso de IA diretamente no core business, seja na produção de conteúdo ou no provimento de infraestrutura para orquestrar dados e IA. Com isso, a inteligência artificial pode alavancar o setor, o seu propulsor de transformação, influenciando novos modelos de negócio e novas formas de operar”, diz Jefferson Denti, especialista de IA da Deloitte Brasil.
 

Confira abaixo os 13 tópicos para ficar de olho em TMT:
 

Tecnologia


Utilização de IA generativa dentro de mecanismos de busca

A IA generativa pode ver sua base de usuários crescer mais rapidamente por meio de sua incorporação a aplicações digitais existentes do que por seu uso isolado. De 2026 em diante, mais pessoas devem utilizar a IA generativa (GenAI) quando ela estiver embutida em um aplicativo existente, como um mecanismo de busca, do que como uma ferramenta de geração independente. Em termos de uso diário, acessar GenAI dentro de um mecanismo de busca será 300% mais comum do que usar qualquer ferramenta de GenAI independente, por ser uma experiência que traz mais familiaridade e é mais acessível.
 

Exigência de mais poder computacional

À medida que o mundo está passando de apenas treinar modelos de IA generativa para utilizá-los em larga escala, cresce também a necessidade de poder computacional. Rodar modelos de IA vai representar 2/3 de todo o poder computacional em 2026 e a maior parte disso deve acontecer em novos data centers com valor de meio trilhão de dólares, que exigem chips especializados e infraestrutura robusta.
 

Desbloqueio de valor exponencial com agentes de IA

Agentes de IA autônomos podem ser transformadores, mas a orquestração pode ser fundamental para a automação inteligente. Em média, as estimativas sugerem que o mercado de agentes autônomos de IA pode chegar a US$ 8,5 bilhões até 2026 e US$ 35 bilhões até 2030 – e se as empresas organizarem melhor os agentes e lidarem com mais cuidado com os riscos associados, essa projeção de mercado pode aumentar de 15% a 30% — ou chegar a US$ 45 bilhões até 2030.
 

IA para robótica industrial, robôs humanoides e drones

A capacidade global instalada acumulada de robôs industriais pode atingir 5,5 milhões até 2026, mas as vendas anuais de robôs novos estagnaram em pouco mais de meio milhão de unidades desde 2021. Os robôs podem ter múltiplas aplicações em diferentes indústrias, incluindo drones autônomos, mas a menos que o ecossistema mais amplo de tecnologia, IA e robótica aborde gargalos relacionados à qualidade dos dados, integração e cibersegurança, o mercado de robôs industriais deve permanecer no nível atual de crescimento anual relativamente modesto. No entanto, (i) a escassez de mão de obra em aplicações industriais especializadas em países desenvolvidos e (ii) avanços exponenciais no poder computacional e o surgimento de modelos fundamentais especializados de IA podem fazer com esse mercado dobre em 2030 relação aos níveis atuais, chegando a um milhão por ano.
 

Encontro entre SaaS e agentes de IA

A IA continuará a revolucionar o mercado de SaaS (software como serviço). Em 2026, as aplicações SaaS provavelmente se tornarão mais inteligentes, personalizadas e autônomas, evoluindo para serviços de fluxo de trabalho em tempo real que podem aprender. Os preços tradicionais podem se afastar do modelo baseado em licenciamento de assinaturas para uma abordagem mais híbrida, que combine modelos baseados em consumo e resultado. A longo prazo, algumas estimativas sugerem que agentes de IA suficientemente avançados poderiam substituir o SaaS empresarial existente.
 

Gargalos na cadeia de suprimentos de semicondutores

Restrições comerciais crescentes, concentração de fornecedores e tecnologias críticas de chips da próxima geração podem impactar diretamente os esforços globais em IA. Tecnologias de ponta e ferramentas de software que permitem modelos avançados de IA podem se tornar gargalos na cadeia de suprimentos. Muitos desses processos e materiais de alta tecnologia dependem de poucos fornecedores cujo domínio em regiões-chave levou governos a impor barreiras comerciais para proteger interesses estratégicos e reduzir a dependência, ressaltando o papel crítico que desempenham na cadeia global de suprimentos de semicondutores.
 

Soberania tecnológica e autossuficiência

À medida que o ambiente geopolítico global se torna cada vez mais complexo e incerto, países e blocos regionais estão correndo para construir suas próprias infraestruturas de tecnologia e IA soberanas, assumindo maior controle direto de sua infraestrutura digital, especialmente aquelas relacionadas à IA. Na próxima década, investimentos significativos serão direcionados para computação em nuvem, semicondutores, data centers, modelos de IA, conectividade e esforços de comunicação via satélite. Em um mundo interconectado, a soberania total dificilmente será alcançada por qualquer país ou região, mas muitos buscam se tornar, pelo menos, mais autossuficientes.
 

Mídia


Avanço nas séries de formatos curtos

Microsséries, as séries de vídeo curtos lançados diretamente para celular, estão remodelando os hábitos de visualização global. O crescimento de receita deve mais do que dobrar, atingindo US$ 7,8 bilhões, com os EUA respondendo pela metade da receita global. A conveniência do formato curto atrai públicos fragmentados e móveis, enquanto criadores independentes, impulsionados pelas novas tecnologias, estão construindo estúdios mais enxutos e ágeis, potencialmente desafiando estúdios maiores e mais tradicionais.
 

Videocasts como oportunidade

Os videocasts estão transformando o engajamento do público ao combinar narrativa em áudio com apelo visual e já podem estar competindo diretamente com a TV e plataformas de streaming. Prevê-se que as receitas anuais globais de publicidade de podcasts e videodcasts atingirão aproximadamente US$ 5 bilhões de dólares em 2026, um crescimento de 20%, com mercados emergentes como Índia, Nigéria e Brasil impulsionando esse crescimento.
 

Vídeos de IA generativa

Vídeos feitos por IA generativa pode empoderar criadores independentes e aumentar a receita publicitária das plataformas, mas também corre o risco de sobrecarregar audiências, corroer a autenticidade e alimentar desinformação, provavelmente intensificando a fiscalização regulatória. O sucesso provavelmente dependerá de equilibrar a inovação com a moderação, já que vídeos gerativos sem controle podem desestabilizar modelos de negócios, acelerar a desinformação e fragmentar ainda mais o senso compartilhado de realidade da sociedade.
 

Parcerias de mídia pública com gigantes do streaming

Nos EUA, emissoras públicas como a PBS estão se adaptando às pressões enfrentadas por muitas redes tradicionais, coproduzindo com streamers, promovendo conteúdo em plataformas sociais e experimentando lançamentos escalonados. Essas estratégias ajudam a ampliar o alcance, atrair públicos mais jovens e injetar conteúdo local em plataformas globais.
 

Telecomunicações


Transformação com a internet via satélite

A conectividade via satélite direto para dispositivos tem crescido, mas frequentemente enfrenta desafios de monetização, enquanto a expansão de dados em órbita e avanços tecnológicos ajudam a remodelar a implantação e a resiliência, além de criar complexidades regulatórias. Os gastos em infraestrutura de rede direta para dispositivo (D2D), especialmente em satélites, atingiu cerca de US$ 4 bilhões em 2024 e se espera um aumento para US$ 6-8 bilhões até 2026. Estima-se que cerca de 1.000 satélites D2D fornecerão serviços de conectividade de baixa largura de banda (SOS, texto e voz) em áreas que podem não ter cobertura celular terrestre, mas a adoção e a disposição para pagar pelo D2D permanecem incertas. O número de satélites de comunicação em órbita baixa deve atingir entre 15.000 e 18.000, conectando mais de 15 milhões de assinantes globais até o final de 2026.
 

Bonificações e benefícios para consumidores

Nos mercados desenvolvidos, consumidores têm tido dificuldade em perceber melhorias no desempenho da rede. Assim, em 2026, as bonificações e benefícios oferecidos por operadoras móveis podem importar tanto quanto o desempenho. Até 2030, há uma probabilidade razoável de que nenhum dispositivo fundamentalmente revolucionário conectado a redes móveis surja. Benefícios não relacionados à rede podem se tornar cada vez mais críticos para atrair usuários ou reduzir a perda de clientes, à medida que podem ser mais tangíveis para os consumidores do que atualizações de infraestrutura.
 

O panorama traçado pelo estudo “TMT Predictions” da Deloitte mostra que 2026 será um ano de consolidação e amadurecimento da inteligência artificial, com impactos profundos em todo o setor de tecnologia, mídia e telecomunicações. O avanço dos agentes de IA, a evolução dos modelos de negócios e a integração da tecnologia a múltiplos setores evidenciam um ecossistema dinâmico e em transformação. Desafios como a necessidade de poder computacional, soberania tecnológica e adequação regulatória permanecem, exigindo colaboração entre indústrias e investimento contínuo em inovação. Com isso, espera-se que empresas e consumidores possam experimentar benefícios concretos da IA e de novas soluções digitais. Por fim, 2026 promete ser um marco para o futuro digital, impulsionando o crescimento sustentável e a competitividade global do setor.

Imagem: https://br.freepik.com/fotos-gratis/fundo-humano-do-aperto-de-mao-do-robo-transformacao-digital-da-inteligencia-artificial_17850420.htm

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