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O avanço da abertura do mercado de energia e a digitalização acelerada das redes impuseram um novo padrão de competitividade ao setor de utilities no Brasil. Em um cenário de margens pressionadas e exigências regulatórias sem precedentes, a resiliência operacional e a eficiência de campo deixaram de ser diferenciais para se tornarem imperativos de sobrevivência. Para as concessionárias, a capacidade de integrar dados em tempo real é hoje o principal recurso para controlar custos, assegurar a qualidade do serviço e reduzir a exposição a penalidades financeiras e reputacionais.

De acordo com a TIVIT, multinacional do Grupo Almaviva e parceira estratégica em ambientes críticos, empresas que mantêm operações baseadas em dados fragmentados enfrentam um aumento estrutural do OPEX e uma vulnerabilidade crítica a eventos climáticos e operacionais. ”O compliance regulatório não pode mais ser um processo manual e oneroso. A eficiência real acontece onde o regulador é mais sensível: na rastreabilidade e na continuidade do serviço”, afirma João Rabaço, Head da vertical de Utilities da TIVIT.

A reconfiguração do setor elétrico, impulsionada pela Lei nº 14.300/2022 (Marco Legal da Micro e Minigeração Distribuída) e pela explosão da geração distribuída, elevou a complexidade da medição e da liquidação junto à CCEE (Câmara de Comercialização de Energia Elétrica). Sem a integração nativa entre sistemas comerciais e de faturamento, as empresas lidam com um ciclo vicioso de retrabalho e ajustes retroativos. O erro na contabilização de energia hoje não é apenas uma falha operacional, é um risco direto ao fluxo de caixa e à governança da companhia.

Outro gargalo crítico reside nas penalidades por descumprimento dos indicadores de qualidade, DIC (Duração Individual de Interrupção) e FIC (Frequência Individual de Interrupção) regulados pela Aneel. A carência de uma visão unificada entre o operacional e o comercial retarda o diagnóstico de falhas, prolonga o tempo de restabelecimento e dispara compensações automáticas milionárias aos consumidores. A TIVIT defende que a tecnologia deve atuar como o ‘sistema nervoso’ da rede, antecipando interrupções antes que elas se transformem em judicialização.

Além dos indicadores individuais, o desempenho coletivo medido por DEC (Duração Equivalente de Interrupção por Unidade Consumidora) e FEC (Frequência Equivalente de Interrupção por Unidade Consumidora) permanece sob monitoramento rigoroso do regulador. O descumprimento sistemático desses parâmetros compromete a avaliação global da concessionária, pressiona revisões tarifárias e amplia a exposição a sanções administrativas. Sem integração plena entre operação, despacho de campo e inteligência analítica, a redução estrutural de DEC e FEC torna-se reativa e onerosa, corroendo margens e fragilizando a previsibilidade regulatória.

O movimento de modernização, que inclui projetos de smart metering e automação de subestações, exige uma estratégia de dados robusta para gerar ROI. Segundo Rabaço, investimentos em hardware sem uma camada inteligente de analytics, correm o risco de se tornarem CAPEX “ocioso”. “Instalar sensores é o primeiro passo, mas o valor real está em conectar esses dados à tomada de decisão executiva para otimizar a alocação de equipes em campo e a manutenção preditiva”, explica o executivo.

A integração estruturada de dados também viabiliza avanços tangíveis na agenda ESG das empresas de Utilities. Ao reduzir perdas não-técnicas e otimizar o deslocamento de frotas para manutenção, a tecnologia impacta diretamente a pegada de carbono e a governança corporativa. A eficiência operacional, portanto, torna-se o caminho mais curto para o cumprimento de metas de sustentabilidade e para a melhoria do atendimento ao cidadão.

“Resiliência e eficiência deixaram de ser conceitos teóricos para se tornarem ativos financeiros. Em 2026, a soberania operacional de uma Utility depende da sua capacidade de operar de forma contínua, segura e orientada a dados”, conclui Rabaço.

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