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Apesar do aumento de iniciativas voltadas à diversidade nos últimos anos, a presença feminina na tecnologia ainda está longe da equidade. No Brasil, apenas 19,2% dos especialistas em Tecnologia da Informação são mulheres, segundo o estudo W-Tech 2025, do Softex, que aponta que seriam necessárias mais de 53 mil novas profissionais por ano para que o país se aproxime da paridade até 2030. Os números mostram que, embora o debate sobre inclusão tenha avançado, a transformação estrutural ainda acontece em ritmo lento.

É nesse cenário que o Dia Internacional da Mulher ganha um significado que vai além da celebração. Mais do que reconhecer trajetórias individuais, a data convida à reflexão sobre legado e responsabilidade coletiva. O que mulheres que conseguiram romper a barreira da liderança aprenderam ao longo do caminho? E, principalmente, como estão usando essa experiência para formar e impulsionar a próxima geração de líderes em tecnologia?

A seguir, conheça 7 executivas que compartilham os desafios que enfrentaram, os erros que cometeram, as estratégias que funcionaram, e o que ainda precisa mudar para que diversidade deixe de ser exceção e se torne regra no setor.

Networking feminino como motor de transformação
Para Nara Iachan, cofundadora e CMO da Loyalme, startup que nasceu dentro da Cuponeria para oferecer soluções de fidelização, liderança não se constrói de forma isolada. Em um ecossistema ainda majoritariamente masculino, criar redes estratégicas entre mulheres deixa de ser apenas uma pauta de representatividade e passa a ser um diferencial competitivo. Com formação em Economia pela UFRJ, MBA em Gestão e Desenvolvimento Empresarial e mestrado em Inovação pela FEI, Nara defende que ambientes colaborativos aceleram crescimento e reduzem barreiras invisíveis da carreira.

“Construir uma rede de apoio entre mulheres não é apenas desejável, é estratégico. Quando vemos mais mulheres em posições de CEO, CMO ou em cargos de liderança técnica, criamos referências reais e ampliamos as possibilidades para quem está começando. Mais do que ocupar espaços, precisamos transformá-los, trocando experiências, compartilhando aprendizados e abrindo caminhos para que outras avancem com mais segurança”, reflete.

  1. Inovação com propósito como estratégia de liderança

Para Talita Castro, CEO do PiniOn, empresa de pesquisa de mercado especializada em dados competitivos e comportamentais, ocupar um cargo de liderança como mulher, trata-se de assumir um papel ativo na construção de um mercado mais diverso e de criar condições para que outras mulheres avancem com mais preparo e menos obstáculos. Doutora em Antropologia pela Unicamp e cientista social, Talita consolidou sua atuação em posicionamento estratégico, vendas e gestão, defendendo que inovação e impacto caminham juntos, especialmente quando a liderança entende seu poder de influência dentro da organização.

“Ser líder exige unir visão estratégica e capacidade de adaptação. Transformar informações em decisões precisas é essencial para crescer em um mercado competitivo. Mas, acima de tudo, liderar é assumir a responsabilidade de abrir portas para outras mulheres, criando oportunidades reais de desenvolvimento, promovendo autonomia e fortalecendo um ambiente onde diversidade não seja exceção, mas parte da cultura”, afirma.

  1. Escala com qualidade e como bússola estratégica

Para Tereza Santos, COO da Tech for Humans, liderar na tecnologia significa unir crescimento acelerado com excelência operacional, criando modelos que possam ser replicados e inspirar novas líderes. Em um setor historicamente desigual como o de tecnologia, ela vê sua trajetória como uma oportunidade de fortalecer estruturas que permitam que mais mulheres ocupem espaços de decisão e protagonismo. “Minha missão é garantir escala com qualidade, mantendo a excelência que é a marca registrada da empresa. Mas liderar também é abrir caminhos para outras mulheres, mostrando que é possível crescer de forma consistente sem abrir mão da visão estratégica”, afirma Tereza.

A executiva reforça que a transformação do setor depende de escolhas estruturais: cada decisão, cada modelo de operação e cada oportunidade de desenvolvimento criam precedentes para a próxima geração de mulheres na tecnologia. “Liderança não é apenas ocupar um cargo; é criar sistemas e referências que acelerem o crescimento de quem vem depois”, completa.

  1. Não basta chegar: é preciso transformar o caminho

Para Bárbara Vallim, CEO e fundadora da Hera.Build, que integra inteligência artificial e dados para decisões mais humanas e estratégicas, mostrando que o impacto da ferramenta vai muito além da automação, estar à frente de uma empresa de tecnologia é mais que liderar equipe, trata-se de inspirar transformações significativas no setor e preparar o caminho para a próxima geração de mulheres líderes. Com mais de 17 anos de experiência em tecnologia, tendo liderado projetos e times em companhias globais e agora conduzindo uma startup, a empreendedora defende que a liderança feminina é essencial para ampliar perspectivas e consolidar a cultura de inovação diversa.

“Liderar nesse setor exige curiosidade, desafiar padrões estabelecidos e um compromisso real com aprendizado contínuo. Transformar desafios em oportunidades é parte do trabalho, e é também nossa responsabilidade abrir espaço para outras mulheres sonharem alto, se prepararem com profundidade e ocuparem posições que moldam o futuro da indústria. É isso que nos permite não só chegar lá, mas criar uma trilha mais sólida para quem vem depois”, afirma a fundadora da Hera.Build.

  1. Diversidade estrutural como escolha estratégica

A Superintendente executiva de tecnologia da Cielo, Juliana Frigo, acredita que transformar o setor de tecnologia exige mais do que boas intenções: exige estrutura. Ela defende que líderes que romperam barreiras têm o papel de ampliar o caminho para quem vem depois, porque a diversidade real não nasce de iniciativas isoladas, mas de decisões estratégicas e consistentes.

“No início da minha trajetória na tecnologia, a falta de referências femininas me fez entender o tamanho da barreira. Hoje, quando vejo que metade da diretoria da Cielo é composta por mulheres, enxergo o quanto avanços estruturais podem transformar cenários inteiros. Essa mudança não nasce

do acaso: nasce de liderança comprometida, programas perenes e da convicção de que diversidade precisa fazer parte da estratégia porque quando diferentes perspectivas entram na mesa de decisão, o negócio ganha velocidade, inovação e capacidade real de antecipar riscos e oportunidades.”

  1. Produto como espaço de influência — e responsabilidade

Para Marina Novaes, Diretora de Produto da Escale, plataforma de jornadas de vendas AI-First com foco em enterprise, é essencial contar com bons exemplos e mostrar a outras mulheres que é possível chegar a patamares maiores sendo fiel à própria forma de liderar. “Tão importante quanto trilhar a própria jornada é ter outras mulheres inspiradoras abrindo caminhos e servindo de inspiração . É difícil acreditar que podemos chegar a lugares onde nunca nos vemos representadas. Ver mulheres liderando com competência, humanidade e visão de negócio, participando de decisões estruturais e direcionando estratégias, ampliou meu horizonte e reforçou a ideia de que eu também poderia chegar lá”, afirma a executiva.

Essa percepção também moldou a forma como a diretora enxerga sua própria liderança. “Hoje vejo parte do meu papel como líder justamente em tornar esse caminho mais visível para outras mulheres. Desde incentivar que elas ocupem áreas de influência dentro da tecnologia e também compartilhar repertório. Procuro ser o exemplo que eu gostaria de ter tido, alguém que alcança posições de influência na tecnologia, participa de decisões relevantes para o negócio e, ao mesmo tempo, mantém uma liderança humana, consciente e colaborativa”, pontua.

Imagem: divulgação

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