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ABEINFO

Oswaldo Neto, CTO da DIO


A Inteligência Artificial generativa colocou a IA na rotina de milhões de profissionais. Escrever textos, criar apresentações e desenvolver código com apoio da tecnologia passou a fazer parte do dia a dia de empresas de diferentes setores. Os agentes de IA ampliam esse horizonte. Em vez de responder a um comando e encerrar a interação, executam tarefas, acessam sistemas, cruzam informações e conduzem processos inteiros.

As empresas já perceberam o potencial dessa mudança. Dados do Microsoft Work Trend Index 2025 mostram que 81% dos líderes pretendem incorporar agentes de IA às estratégias de suas organizações nos próximos 12 a 18 meses. O dado ajuda a explicar por que esse tema deixou de interessar apenas às equipes de tecnologia.

A discussão vai muito além da automação. Pela primeira vez, a IA deixa de funcionar apenas como uma ferramenta de apoio e passa a assumir parte da execução. Isso muda a distribuição do trabalho dentro das empresas. Atividades repetitivas tendem a consumir menos tempo. Em contrapartida, cresce a importância de competências como análise, interpretação de cenários, pensamento crítico e tomada de decisão.

A diferença entre chatbots e agentes

Ainda existe quem enxergue os agentes de IA como uma versão mais sofisticada dos chatbots. A comparação faz sentido até certo ponto, mas não explica o que realmente mudou. Chatbots respondem perguntas. Agentes executam processos. Conseguem consultar bases de dados, interagir com diferentes aplicações e concluir tarefas que antes exigiam várias etapas e diferentes ferramentas.

Poucas profissões ficarão de fora desse movimento. Um profissional de marketing pode usar agentes para consolidar indicadores e estruturar relatórios. Na área financeira, eles apoiam conciliações, automatizam rotinas e ajudam a identificar inconsistências. Recursos humanos reduz o tempo dedicado à triagem inicial de currículos.

Há aplicações semelhantes na saúde, na educação, na engenharia, no jurídico e no atendimento ao cliente. A tecnologia muda de função conforme o contexto, mas o objetivo permanece o mesmo: liberar tempo para atividades em que experiência, repertório e capacidade de decisão fazem diferença.

Esse novo cenário também muda a forma de aprender. Durante muitos anos, dominar uma ferramenta era suficiente para acompanhar as exigências do mercado. Hoje, esse conhecimento perde validade rapidamente. Novas plataformas surgem o tempo todo. O profissional que fará diferença não será o que conhece todos os recursos disponíveis, mas aquele que entende onde a IA faz sentido, reconhece seus limites e sabe incorporá-la aos processos do negócio.

Quanto mais autonomia essas soluções ganham, maior é a responsabilidade de quem as utiliza. Dados inconsistentes continuam produzindo resultados inconsistentes. Informações sensíveis exigem proteção. Processos automatizados precisam de supervisão. A IA amplia a capacidade de execução, mas não substitui julgamento, contexto ou responsabilidade.

Os agentes de IA seguirão o mesmo caminho de outras tecnologias que hoje parecem indispensáveis. Em pouco tempo, deixarão de ser vistos como novidade e passarão a integrar a rotina de trabalho de empresas dos mais diversos setores. A diferença continuará sendo feita pelas pessoas. Não por saberem usar uma ferramenta específica, mas por entenderem como transformar tecnologia em melhores decisões e melhores resultados.

Imagem: https://pt.vecteezy.com/foto/71433635-ilustrando-artificial-inteligencia-agentes-maquina-aprendizado-grande-dados-digital-automacao-dentro-uma-moderno-tecnologia-conceito-proxima-geracao-o-negocio-solucoes-dados-analise-orientado-por-ia-automacao-inovativa

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