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ABEINFO

Por Lucas Ribeiro, CEO da ROIT

O início da transição para o novo sistema tributário nacional encontra o setor produtivo com um gargalo operacional relevante em tecnologia. Uma pesquisa inédita da ROIT, especializada em soluções para gestão tributária, revela que apenas 1% das grandes empresas considera sua infraestrutura de TI totalmente preparada para conviver com a duplicidade de regimes fiscais que vigorará no país. Outras 40% das companhias afirmam estar apenas em fase de planejamento, enquanto 27% declaram que a TI está despreparada ou que o assunto nem sequer entrou na pauta.

O levantamento ouviu, entre maio e junho, 70 diretores e gestores das áreas financeira, fiscal e de tecnologia. A amostra reúne médias e grandes empresas inseridas na base da ROIT, cujas receitas somadas ultrapassam R$ 2 trilhões por ano — o equivalente a cerca de um quinto do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro.

Para além da fragilidade dos sistemas internos, o estudo expõe uma vulnerabilidade em cadeia: 82% dos executivos avaliam que seus principais fornecedores estão pouco ou nada preparados para atender às exigências operacionais do Imposto sobre Bens e Serviços (IBS) e da Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS). A falta de alinhamento na ponta de suprimentos pressiona a rentabilidade: 30% das empresas preveem queda direta nas margens de lucro e 27% afirmam não conseguir mensurar os impactos no resultado financeiro. Na tentativa de preservar o caixa, 46% dos entrevistados projetam repasse de custos e aumento nos preços finais de produtos e serviços.

A lentidão na preparação reflete-se também no planejamento financeiro e nas adequações jurídicas. Em relação ao split payment — mecanismo de recolhimento na fonte que promete impactar a liquidez corporativa —, 78% das empresas não avaliaram os efeitos no capital de giro ou o fizeram apenas de forma superficial. No campo contratual, 73% das corporações ainda não iniciaram a revisão de cláusulas comerciais ou estão nos passos preliminares para adequar seus instrumentos às novas regras.

Na avaliação da ROIT, o estudo indica que o principal risco da Reforma Tributária deslocou-se do debate legislativo para a execução operacional. Sem a integração em tempo real entre contratos, sistemas de gestão (ERPs), notas fiscais e liquidação financeira, a convivência de dois regimes simultâneos tende a encarecer o custo de conformidade e gerar perdas de créditos tributários.

A constatação dessa lacuna tecnológica tem impulsionado investimentos em automação e inteligência artificial aplicadas ao ecossistema de tax techs. Para responder à demanda por integração, a ROIT direcionou R$ 50 milhões ao desenvolvimento de infraestrutura voltada à Reforma, com destaque para o Registro de Autoexecução Inteligente (RAI). A solução utiliza smart contracts para sincronizar automaticamente as regras tributárias e contratuais diretamente com os ERPs e os fluxos de pagamento, mitigando o risco de desconexão na cadeia de suprimentos e preservando a margem operacional ao longo do período de transição.

Imagem: https://pt.vecteezy.com/foto/2880578-moeda-na-mesa-fundo-e-negocio-ou-financas-economia-dinheiro

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