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evantamento da Check Point aponta exposição de dados sensíveis no uso corporativo de IA; especialista destaca desafios da integração tecnológica e da governança das informações

Os ataques cibernéticos contra empresas cresceram 48% em setembro de 2026, na comparação com o mesmo período do ano passado, segundo levantamento da Check Point Research. Foram registrados, em média, 2.803 ataques semanais por organização em todo o mundo. Na América Latina, o número chegou a 3.813, o maior entre as regiões analisadas. O estudo também identificou riscos associados ao uso corporativo de inteligência artificial generativa: uma em cada 25 interações com essas ferramentas na região apresentou alto risco de exposição de informações sensíveis.

Para Marcos Custódio, CEO da Webpeak, empresa especializada em arquitetura digital e integração de sistemas, os números reforçam a necessidade de olhar além das ferramentas de segurança. A maneira como os ambientes tecnológicos estão estruturados e como as informações circulam entre diferentes plataformas também exige atenção.

“A inteligência artificial está chegando a empresas que ainda operam com sistemas isolados, bases de dados dispersas e processos pouco integrados. Quando novas ferramentas passam a acessar essas informações, é fundamental saber de onde os dados vêm, quem pode utilizá-los e quais controles existem nesse percurso”, afirma.

De acordo com o levantamento, 89% das organizações que utilizam regularmente ferramentas de IA generativa registraram ao menos uma interação classificada como de alto risco de exposição de informações. Entre os conteúdos identificados estavam configurações de redes e infraestrutura de TI, dados financeiros, registros jurídicos e informações pessoais.

Na avaliação do executivo, a adoção acelerada de inteligência artificial pode intensificar fragilidades já existentes nas operações. Sistemas legados, integrações realizadas sem planejamento e bases de dados duplicadas ou desatualizadas dificultam o controle sobre o fluxo das informações, especialmente quando diferentes aplicações passam a acessá-las simultaneamente.

“Não adianta incorporar inteligência artificial a uma operação sem entender como os sistemas estão conectados. Antes de ampliar a automação, é preciso organizar os dados, revisar os acessos e garantir que as integrações funcionem de maneira controlada. Caso contrário, a tecnologia pode aumentar a complexidade de um ambiente que já apresenta fragilidades”, explica.

O estudo também mostra que as organizações utilizam, em média, oito ferramentas de inteligência artificial generativa. A multiplicação dessas aplicações amplia a necessidade de estabelecer critérios para o compartilhamento de informações, a gestão de permissões e a rastreabilidade dos dados.

Segundo Marcos, um dos principais desafios está em evitar que a transformação digital avance de forma fragmentada, com diferentes áreas adotando soluções sem uma visão integrada da operação. O mapeamento dos sistemas existentes, a identificação de dados sensíveis e a revisão das permissões de acesso são algumas das medidas necessárias para tornar esse processo mais seguro e eficiente.

“A discussão não é deixar de usar inteligência artificial, mas criar condições para que ela funcione dentro de uma estrutura tecnológica organizada. Quanto maior a integração entre sistemas, maior deve ser a clareza sobre os dados que circulam entre eles e sobre quem responde por esse fluxo”, conclui.

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