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Farmácia ficou três dias fechada após invasão e, segundo Marcelo Dantas, diretor de Inovação da Farmarcas, ainda faturava 20% menos depois da recuperação; treinamento, prevenção e backups estão entre as medidas de proteção

Um ataque cibernético pode comprometer o faturamento de uma empresa muito depois de seus sistemas voltarem a funcionar. Além dos custos para recuperar os dados e restabelecer a operação, o negócio pode perder clientes, interromper as vendas e enfrentar dificuldades para recuperar o desempenho anterior. O risco não se restringe a grandes companhias: pequenos varejistas também podem se tornar alvos de criminosos digitais.

O Diretor de Inovação da Farmarcas, Marcelo Dantas, relata o caso que tomou conhecimento de uma farmácia que ficou cerca de três dias fechada após ter seus sistemas invadidos. A recuperação total levou aproximadamente 15 dias e, mesmo depois da retomada, o estabelecimento continuava faturando cerca de 20% menos, segundo o executivo.

O episódio ilustra como um incidente digital pode comprometer a continuidade de um negócio. Uma loja que depende de sistemas para consultar preços, controlar estoques e registrar vendas pode ter dificuldade para operar quando perde o acesso a essas ferramentas. Em empresas menores, a interrupção também pode afetar diretamente o sustento do empreendedor. “O risco existe desde o menor negócio. Se a empresa tem acesso à internet e utiliza um sistema para efetuar vendas, existe algum risco relacionado”, afirma Dantas.

Prevenção deve começar junto com o negócio

Um dos erros mais comuns, na avaliação do executivo, é deixar a segurança digital para depois, quando a empresa já cresceu ou sofreu algum incidente. Para explicar essa lógica, ele compara a proteção cibernética à construção de uma casa: as medidas de segurança precisam ser implementadas junto com a estrutura do negócio, e não apenas depois de uma invasão.

“A recomendação é construir o muro junto com a casa”, afirma Dantas. A analogia resume a importância de adotar medidas preventivas desde o início, mesmo em operações de pequeno porte. Entre os pontos prioritários estão a proteção dos sistemas, a orientação dos funcionários e o apoio de profissionais especializados. Para Dantas, a segurança depende tanto dos recursos tecnológicos quanto da maneira como as pessoas utilizam os equipamentos e lidam com informações no dia a dia.

Cinco medidas para reduzir os riscos

Treinar os funcionários para identificar fraudes. E-mails com falsas cobranças, notificações que imitam órgãos oficiais e mensagens inesperadas podem levar funcionários a clicar em links maliciosos ou fornecer credenciais de acesso. O treinamento deve ensinar a conferir a origem das solicitações, desconfiar de mensagens suspeitas e confirmar pedidos antes de executar ações que envolvam dinheiro ou informações da empresa. “A melhor forma de prevenir é educacional. Precisamos aprender a não confiar em tudo o que recebemos”, afirma Dantas, que aponta as pessoas como uma das principais portas de entrada para ataques cibernéticos.
Implementar uma proteção técnica básica. O uso de firewall e de outras ferramentas de segurança ajuda a proteger os sistemas contra acessos indevidos. A empresa também precisa manter seus recursos tecnológicos atualizados e avaliar quem tem autorização para acessar informações e sistemas importantes. Essas medidas devem acompanhar o crescimento da operação, sem depender apenas de soluções improvisadas após um incidente.
Manter backups confiáveis e testados. As cópias de segurança permitem recuperar informações, mas não basta fazê-las regularmente. É necessário protegê-las contra o mesmo ataque que atingiu os sistemas principais e testar se os dados podem ser restaurados. Como explica Dantas, um ataque pode permanecer oculto por algum tempo e acabar contaminando também os backups realizados durante esse período.
Contar com apoio especializado antes de uma emergência. Pequenas empresas nem sempre dispõem de uma equipe própria de tecnologia. Nesses casos, contratar ou estabelecer uma relação prévia com profissionais especializados pode facilitar a prevenção e reduzir o tempo de resposta a um incidente. O ideal é conhecer os responsáveis pelo suporte e ter um plano de ação antes que as vendas sejam interrompidas.
Controlar as permissões concedidas às ferramentas digitais. Sistemas de gestão, plataformas de comércio eletrônico e aplicações de inteligência artificial podem solicitar acesso a arquivos, dados e recursos da empresa. Dantas alerta para o risco de autorizar essas conexões sem compreender o que a ferramenta poderá acessar ou executar. A recomendação é avaliar as permissões com cuidado e limitar os acessos ao que for realmente necessário.

Como agir quando ocorre um ataque

Quando uma empresa suspeita de invasão, a primeira providência é buscar orientação técnica especializada para avaliar o incidente, conter o acesso indevido e definir como recuperar a operação. A estratégia depende do que foi comprometido: em alguns casos, será possível restaurar os sistemas; em outros, pode ser necessário reconstruir parte do ambiente tecnológico.

Segundo Dantas, o ideal é evitar decisões tomadas no desespero. O pagamento de um resgate, por exemplo, não garante que os arquivos serão recuperados nem elimina o risco de novos ataques. Por isso, a empresa precisa avaliar as alternativas com especialistas, considerando a segurança dos dados e o caminho mais adequado para restabelecer as atividades.

O executivo também recomenda registrar a ocorrência por meio de boletim de ocorrência. Além de contribuir para a formalização do caso, o registro pode ser útil em situações que envolvam consumidores e dificuldades para cumprir compromissos comerciais.

Outra possibilidade é contratar um seguro contra riscos cibernéticos. Dantas considera a proteção válida, desde que adequada ao porte e às necessidades da empresa. A apólice, porém, deve complementar, e não substituir, as medidas preventivas, os backups e o suporte especializado.

Para o varejo, a principal lição é que a segurança digital não deve ser tratada apenas como uma questão de tecnologia. Quando sistemas deixam de funcionar, os efeitos podem alcançar o atendimento, as vendas e a relação com os consumidores. Preparar a operação para prevenir ataques e responder a incidentes é, portanto, parte da estratégia para manter o negócio funcionando.

Imagem: https://pt.vecteezy.com/foto/11224723-tecnologia-de-computador-hackeada-numero-de-codigo-binario-alerta-de-dados-erro-de-hacker-na-tela-de-exibicao

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