A rápida adoção de Inteligência Artificial e a dependência de sistemas de Tecnologia Operacional (OT) legados estão reconfigurando o mercado de consultoria de TI no Brasil. Em um cenário onde apenas 27% das empresas brasileiras possuem políticas formais de governança em IA, segundo a Pesquisa Setorial sobre Maturidade de Riscos Digitais de 2025, a demanda por direcionamento estratégico tornou-se vital.
Diante da complexidade desse novo cenário, em que a adoção acelerada de inovações esbarra na vulnerabilidade de sistemas corporativos antigos, a simples aquisição de novas ferramentas tecnológicas deixa de ser uma resposta suficiente. Para que as empresas consigam modernizar suas estruturas sem expor a operação a riscos críticos, a estratégia de cibersegurança precisa ser pensada como a base do projeto.
“É fundamental estabelecer políticas de gestão, transparência e alinhamento regulatório logo no ponto de partida. O avanço da IA e a necessidade de proteger os sistemas de maquinário industrial exigem uma abordagem de segurança muito mais robusta”, afirma Roberto Toscani, diretor de Consultoria de Segurança da Informação e Privacidade da Tripla, empresa especializada em cibersegurança, TI e compliance.
De acordo com o executivo, o uso de plataformas em obsolescência aumenta consideravelmente o risco de paralisações, e a consultoria atua exatamente para garantir a continuidade das linhas de produção, trazendo previsibilidade a toda a operação.
Essa urgência por maturidade digital esbarra em um desafio estrutural do mercado nacional: o déficit crônico de profissionais. Dados da Brasscom apontam que a demanda anual no Brasil é de 70 mil novos especialistas, podendo chegar a 420 mil nos próximos três anos.
Diante da dificuldade de reter ou formar talentos internamente, as organizações estão apostando nos serviços de consultoria como extensões de suas próprias equipes. “O mercado de segurança passa por uma evolução necessária de perfil. Hoje, precisamos de profissionais que consigam traduzir as necessidades técnicas para a linguagem corporativa. O grande diferencial é unir o profundo conhecimento técnico a uma visão clara de aplicabilidade aos negócios”, observa Toscani.
É exatamente essa capacidade de alinhar as estratégias tecnológicas aos objetivos da empresa que tem impulsionado o setor de consultoria, um mercado que, segundo a Statista, deve movimentar cerca de US$ 92,95 bilhões até 2029.
O reflexo dessa mudança de comportamento das empresas é evidente no ritmo de expansão de companhias focadas em segurança, TI e compliance. Na Tripla, a área de consultoria projeta um crescimento de 17% em 2026 e um salto expressivo de 48% no biênio 2027-2028. Com esses números, a área consolida-se como a segunda maior força da companhia, atrás apenas da divisão principal de cibersegurança.
Esse movimento já fortaleceu os resultados da empresa em 2025, quando ultrapassou a marca de R$ 100 milhões em faturamento, antecipando metas previstas para o ano seguinte. Para sustentar esse ritmo acelerado, a empresa tem investido na chegada de executivos seniores – alguns, com mais de 20 anos de experiência no mercado.
“A consultoria se tornou uma porta de entrada estratégica para a transformação digital dos nossos clientes. Nosso objetivo com a chegada dessas novas lideranças é justamente trazer a bagagem e a credibilidade necessárias para guiar o mercado nesta nova etapa de complexidade tecnológica”, conclui.
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