O conflito armado entre Estados Unidos, Israel e Irã, iniciado no final de fevereiro, transpôs as barreiras físicas e já reflete na segurança digital brasileira. Dados inéditos do CERT.br revelam que o Brasil registrou 74.996 incidentes cibernéticos entre janeiro e fevereiro de 2026, consolidando o país como um alvo estratégico na geopolítica do hacktivismo.
O fenômeno da “Varredura Silenciosa”
O levantamento aponta um dado que preocupa especialistas: 86% dos incidentes (mais de 64 mil ocorrências) são classificados como scans ou varreduras. Na prática, isso significa que grupos criminosos e hacktivistas estão mapeando vulnerabilidades em sistemas brasileiros em larga escala antes de desferir ataques destrutivos.
“O adversário observa antes de atacar. Esse volume massivo de scans é o mapeamento silencioso que antecede incidentes graves como vazamento de dados ou interrupção de serviços”, explica Hugo Santos, Diretor de Inteligência de Ameaças da Vision Cybersecurity.
Por que o Brasil é alvo?
Embora o país esteja geograficamente distante do epicentro do conflito, sua relevância econômica o coloca no tabuleiro da “guerra híbrida” por três fatores principais:
– Setor Energético: A posição do Brasil como grande produtor de petróleo, especialmente no pré-sal, atrai grupos que buscam atingir cadeias críticas de energia e logística.
– Conexões Globais: Empresas brasileiras de utilities, portos e fornecedores industriais podem ser alvos indiretos por sua associação a parceiros ocidentais.
– Dependência Logística: A necessidade de importação de derivados, como o diesel, cria gargalos estratégicos que podem ser explorados para causar desabastecimento ou pressão econômica.
Raio-x das ameaças em 2026
Além das varreduras, o relatório detalha outros vetores de ataque utilizados por grupos pró-Irã e afiliados:
– Ataques de Negação de Serviço (DDoS): Foram registradas 4.423 notificações de tentativas de tirar sites e sistemas do ar.
– Phishing e Fraudes: Mais de 3.400 casos reportados, com uma intensificação no mês de fevereiro, utilizando temas do conflito para enganar usuários.
– Portas de Entrada: Serviços essenciais como bancos de dados e conexões remotas (SSH e Telnet) lideram a lista de tentativas de invasão.
Resiliência como Defesa
Para os especialistas da Vision Cybersecurity, o cenário exige uma mudança de postura nas empresas brasileiras. “O hacktivismo não reconhece fronteiras. Organizações a milhares de quilômetros do conflito podem ser impactadas por campanhas ideológicas”, afirma Santos.
A recomendação para o setor privado e órgãos públicos é o reforço imediato na revisão de acessos de fornecedores, monitoramento de ativos expostos à internet e defesas contra campanhas de phishing temáticas, que tendem a crescer nos próximos meses conforme a tensão internacional se prolonga.
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