O uso inadequado de ferramentas digitais pode comprometer processos e aumentar riscos de segurança digital
A popularização de ferramentas de inteligência artificial generativa, como o ChatGPT, trouxe novas possibilidades para quem deseja organizar documentos, preencher formulários e preparar cartas de intenção para processos de imigração. Porém, o uso sem orientação pode criar o efeito contrário, com respostas padronizadas, informações inconsistentes e até exposição de dados pessoais, que comprometem a credibilidade do candidato diante das autoridades migratórias.
Em processos como solicitações de visto, documentos como formulários oficiais, cartas de motivação, currículos e declarações pessoais precisam refletir a trajetória real do solicitante. Quando textos são produzidos por inteligência artificial e não passam por uma revisão criteriosa, podem apresentar características genéricas, informações desconectadas do histórico profissional ou acadêmico e argumentos que não correspondem à realidade.
Segundo Caroline Azevedo, advogada da Visa Finder especializada em imigração e licenciada nos EUA, o principal risco não está no uso da tecnologia em si, mas na substituição da experiência individual por respostas artificiais.
“A inteligência artificial pode ser uma ferramenta de apoio para organização e revisão de documentos, mas um processo migratório exige coerência. O oficial de imigração precisa identificar uma história verdadeira, com informações compatíveis entre formulários, documentos e entrevistas. Um texto genérico ou contraditório pode levantar questionamentos sobre a autenticidade das informações apresentadas”, explica.
Além da questão documental, outro ponto de atenção envolve a segurança dos dados compartilhados nessas plataformas. Formulários de visto normalmente contêm informações sensíveis, como dados pessoais, histórico profissional, informações familiares e documentos oficiais. Para o advogado especialista em segurança de dados Lucas Paglia, o compartilhamento indiscriminado dessas informações em ferramentas de inteligência artificial pode representar riscos.
“Muitas pessoas inserem documentos completos e extremamente sensíveis em plataformas digitais sem avaliar quais informações estão compartilhando, quais dados são necessários e quais cuidados de privacidade devem ser adotados. Antes de utilizar qualquer ferramenta de IA, é fundamental evitar o envio de dados desnecessários”, elucida Lucas.
Diante disso, concluímos que a IA pode ser usada como ferramenta, não como substituta da história do candidato. Os especialistas recomendam que candidatos a utilizem de maneira estratégica, principalmente para revisar textos já produzidos pelo próprio solicitante, organizar ideias e estruturar informações, identificar erros de linguagem e auxiliar na preparação para entrevistas.
Por outro lado, é necessário ter cuidado e evitar copiar respostas prontas encontradas na internet, criar histórias ou experiências inexistentes, inserir documentos pessoais completos em plataformas sem avaliar os riscos e apresentar informações diferentes entre formulários, cartas e entrevistas.
Com o avanço da inteligência artificial nos processos de preparação migratória, especialistas reforçam que a tecnologia pode ser uma aliada, desde que utilizada com transparência, segurança e responsabilidade.
Imagem: divulgação.