Em um cenário cada vez mais competitivo, ter acesso a dados deixou de ser um diferencial para as farmácias. O desafio agora é transformar informações sobre vendas, estoque, preços e comportamento do mercado em decisões capazes de melhorar a rentabilidade e a eficiência da operação.
Segundo Leonam Rodrigues Rosa, diretor de Produtos da Alpha7 Software e responsável pelo desenvolvimento da área de Inteligência de Mercado, o varejo farmacêutico vive uma nova fase de maturidade na gestão. Se antes o desafio era obter informações, agora o foco está em interpretar os dados corretamente e utilizá-los para direcionar o negócio.
“Ter acesso a relatórios e painéis foi um avanço importante para o varejo farmacêutico. O próximo passo é transformar essas informações em direcionamentos estratégicos, com objetivos claros e foco em resultados”, afirma.
A seguir, Leonam apresenta sete etapas que considera fundamentais para as farmácias que desejam evoluir na gestão orientada por dados.
1. Transformar informação em direção
Indicadores de vendas, estoque, margem e precificação mostram o que acontece dentro da operação. O desafio é utilizar essas informações para definir objetivos e orientar decisões.
Segundo Leonam, muitas farmácias acompanham diversos números, mas ainda têm dificuldade em identificar quais indicadores realmente influenciam os resultados do negócio.
“Hoje é possível visualizar praticamente tudo o que acontece na operação. O diferencial está em transformar essa visibilidade em ações com propósito e metas bem definidas”, explica.
2. Entender os próprios números
Antes de buscar respostas no mercado, a farmácia precisa compreender sua própria realidade. Questões como estoque adequado, eficiência de compras, competitividade de preços e rentabilidade devem ser analisadas com base em indicadores confiáveis.
Para Leonam, muitos gestores realizam ajustes constantes na operação, mas nem sempre possuem parâmetros claros para avaliar se estão avançando na direção correta.
“Chega um momento em que o empresário precisa entender quais números realmente refletem a situação da empresa e quais deles merecem mais atenção”, destaca.
3. Usar o mercado como referência, não como modelo
Informações de mercado são valiosas, mas não devem servir apenas para reproduzir estratégias da concorrência. De acordo com Leonam, um dos erros mais comuns é reduzir preços ou ampliar estoques apenas porque outros concorrentes adotaram essas práticas, sem avaliar os impactos na realidade da própria empresa.
“Muitas farmácias usam dados apenas para copiar movimentos do mercado. Em alguns casos, a loja vende mais, mas vê a margem diminuir e o estoque aumentar, comprometendo a rentabilidade”, afirma.
Para ele, existe uma diferença importante entre ser competitivo e ser lucrativo. “Ter o menor preço nem sempre significa ter o melhor resultado. A gestão precisa avaliar o impacto de cada decisão sobre a saúde financeira da empresa.”
4. Avaliar o desempenho com contexto
Indicadores como faturamento, ticket médio, margem, volume de vendas e fluxo de clientes são fundamentais para a gestão. No entanto, isoladamente, eles não mostram se a farmácia está acima, abaixo ou dentro dos padrões do mercado.
“Uma farmácia pode acreditar que está tendo um desempenho ruim quando, na verdade, está alinhada à média do setor. O contrário também acontece. Sem referências externas, é difícil entender a real posição da empresa”, explica Leonam.
Na avaliação dele, a comparação com indicadores de mercado permite identificar oportunidades de melhoria e direcionar investimentos de forma mais eficiente.
5. Definir prioridades
Após compreender seu desempenho, o próximo passo é estabelecer prioridades. Segundo Leonam, muitas farmácias enfrentam desafios simultâneos relacionados a preços, estoque, compras e vendas. No entanto, nem todos os problemas têm o mesmo impacto sobre os resultados.
“Quando tudo parece urgente, as decisões passam a ser tomadas pela pressão do dia a dia. A gestão eficiente exige identificar quais ações realmente têm potencial para gerar evolução no negócio”, afirma.
Ele ressalta ainda que a qualidade dos dados é fundamental para qualquer processo de gestão. Estoques desatualizados, lançamentos incompletos e informações inconsistentes comprometem a tomada de decisão.
Na prática, a gestão orientada por dados substitui perguntas operacionais por questões estratégicas, como identificar quais áreas merecem atenção imediata e quais iniciativas podem gerar maior retorno.
6. Acompanhar decisões e metas
Uma gestão baseada em dados não termina na definição das estratégias. É necessário acompanhar a execução e medir os resultados. Leonam observa que muitas empresas ainda concentram suas metas exclusivamente nas vendas, deixando de lado indicadores igualmente importantes, como margem, lucro, estoque, despesas e prazos de reposição.
“Acompanhar resultados permite entender se as decisões estão produzindo os efeitos esperados ou se ajustes precisam ser feitos ao longo do caminho”, afirma.
Sem monitoramento constante, mesmo boas decisões podem perder força ou deixar de gerar os resultados esperados.
7. Contar com apoio especializado
Para Leonam, a evolução da gestão orientada por dados tem sido impulsionada pelo avanço das tecnologias de inteligência de mercado e pelo suporte de especialistas capazes de interpretar informações complexas.
Ele explica que muitas farmácias já possuem acesso a uma grande quantidade de indicadores, mas ainda enfrentam dificuldades para transformar essas informações em decisões práticas.
“Ter acesso aos dados é apenas uma parte do processo. O mais importante é saber o que fazer com eles e como transformar informação em resultado”, afirma.
Segundo ele, experiências acompanhadas pela Alpha7 mostram que farmácias que adotaram estratégias de precificação inteligente voltadas para a rentabilidade registraram ganhos de até 6% no lucro bruto e crescimento próximo de 1% na margem bruta. “Esse tipo de tecnologia considera uma quantidade muito maior de variáveis para apoiar a decisão. Além do comportamento de vendas da região, ela analisa categorias, marcas, demanda e custos, oferecendo recomendações mais alinhadas à realidade de cada loja”, explica.
Para Leonam, o futuro da gestão farmacêutica passa pela combinação entre inteligência artificial, análise de mercado e acompanhamento especializado, permitindo que os gestores tomem decisões mais assertivas e sustentáveis para o crescimento do negócio.
Imagem: https://pt.vecteezy.com/foto/73840171-analisando-financeiro-relatorios-e-o-negocio-dados-para-estrategico-tomando-uma-decisao