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Duas vulnerabilidades do Microsoft Office descobertas em 2017 continuam entre as falhas mais exploradas no Brasil. Dados da telemetria da ESET, empresa líder em detecção proativa de ameaças, referentes ao primeiro semestre de 2026 mostram que a categoria de exploits respondeu por 9,4% de todas as ameaças detectadas no período, com presença relevante das falhas CVE-2017-11882 e CVE-2017-0199.

Exploits são códigos ou técnicas que aproveitam brechas em programas para executar ações não autorizadas. No caso das duas vulnerabilidades, documentos maliciosos podem ser usados para executar códigos remotamente e abrir caminho para a instalação de outras ameaças no dispositivo. A Microsoft disponibilizou correções para ambas ainda em 2017, mas elas continuam oferecendo oportunidades aos criminosos em ambientes que mantêm versões antigas ou não aplicaram as atualizações de segurança.

A CVE-2017-0199 chamou atenção pela concentração das detecções em março. Em fevereiro, o mês reuniu apenas 2,2% das ocorrências da falha registradas no semestre; no mês seguinte, essa participação chegou a 50,3%. A mudança indica um pico de atividade e mostra como vulnerabilidades conhecidas podem voltar a ganhar força em campanhas pontuais.

“Uma vulnerabilidade não deixa de representar risco apenas porque foi descoberta há vários anos. Para os criminosos, falhas conhecidas podem ser caminhos eficientes justamente porque já existem ferramentas e métodos para explorá-las. Se a atualização não chega a todos os dispositivos, a brecha continua aberta”, explica Jonathan Ramos, pesquisador de segurança na ESET Brasil.

O risco escondido nos sistemas legados

A permanência dessas falhas também expõe um desafio de gestão. Em empresas com muitos computadores, sistemas legados, plataformas em obsolescência que estão em uso dentro de uma companhia por muitos anos, ou equipes trabalhando remotamente, uma atualização adiada ou um equipamento fora do controle central pode manter parte da operação vulnerável . O risco não se limita à máquina afetada: a exploração pode servir como etapa inicial para roubo de informações, instalação de malware e comprometimento de outros recursos da rede.

Para reduzir essa exposição, a ESET recomenda manter um inventário atualizado de equipamentos e programas, aplicar correções de segurança com prioridade, substituir versões que não recebem mais suporte e monitorar dispositivos que estejam fora do padrão definido pela empresa. Também é importante filtrar anexos suspeitos, restringir privilégios de usuários e combinar proteção de endpoints com políticas claras para abertura de documentos recebidos por e-mail ou aplicativos de mensagem.

“A atualização de software não deve depender apenas da iniciativa de cada colaborador. É preciso ter um processo contínuo para identificar ativos, priorizar correções e verificar se elas foram realmente aplicadas. É essa rotina que impede uma falha antiga de continuar sendo uma porta de entrada anos depois”, completa Ramos.

Imagem: https://pt.vecteezy.com/foto/3622391-uma-foto-close-de-um-teclado-de-laptop

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