ABEINFO

Por Giovanni La Porta, CEO da vortice.ai

Preço e prazo sempre foram uma conversa delicada em prestação de serviços. Durante anos, o método mais usado foi olhar para a base histórica da empresa, comparar com o mercado e ajustar de acordo com a complexidade do projeto. Esse modelo funcionava porque o próprio desenvolvimento seguia um padrão: equipes maiores, processos bem definidos, ciclos longos e uma execução majoritariamente manual.

O problema é que essa lógica continua sendo usada, mas em um contexto que mudou. Hoje, grande parte dos preços e prazos é construída em cima de históricos de modelos tradicionais. Só que esses históricos não carregam ou carregam muito pouco aprendizado sobre desenvolvimento com IA. E isso começa a gerar um desalinhamento inevitável.
 

A capacidade de entrega mudou. No caso de desenvolvimento de software, ferramentas de IA permitem acelerar etapas inteiras do processo, desde a prototipação até a codificação, testes e até a documentação. O tempo necessário para produzir as entregas diminuiu, mas o modelo mental de precificação, em muitos casos, continua preso a um passado onde nada disso existia.

E essa não é a primeira vez que o mercado passa por isso. Quem viveu a transição do Delphi cliente-servidor para o desenvolvimento web em camadas lembra bem do que aconteceu. No início, os projetos web eram vendidos com base na mesma lógica anterior. Os prazos não fechavam, os custos não refletiam a nova realidade e havia uma sensação de descompasso.

Levou anos até que o mercado entendesse que não era apenas uma nova tecnologia, era um novo modelo de construir software. Agora estamos vivendo algo parecido e isso está gerando dois movimentos opostos. De um lado, empresas que continuam caras demais porque precificam com base em estruturas que já não são mais necessárias, enquanto outras ficam baratas demais porque adotaram IA, mas ainda não têm maturidade para entender onde estão os reais ganhos. E no meio disso, todo mundo fica perdido.

Não faz mais sentido discutir “quanto custa” ou “quanto tempo leva” sem antes deixar claro qual modelo de desenvolvimento será utilizado. O uso de IA precisa entrar explicitamente nessa equação, não como argumento de venda, mas como parte estrutural como o projeto será executado. A IA acelera muita coisa, mas não elimina complexidade de negócio, não resolve sozinha integrações críticas e não substitui decisões arquiteturais bem feitas.
 

O que tende a acontecer segue um padrão que o mercado já conhece. Primeiro vem a desorganização, que é exatamente o momento atual. Depois, uma fase de recalibração, onde empresas começam a ajustar suas métricas internas. E, por fim, a estabilização, onde surgem novos padrões mais claros de preço, prazo e produtividade.

No fim, o mercado não fica mais barato, ele apenas se reorganiza. E talvez o ponto mais importante seja que quem ainda usa o passado como principal referência para justificar preço e prazo já está, mesmo sem perceber, operando fora da realidade atual.

Imagem: https://pt.vecteezy.com/foto/24162337-comunicacao-e-interacao-com-tecnologia-chatbot-bate-papo-com-ai-aprendizado-ai-e-artificial-inteligencia-futuro-mundo-inovacao-robo-inscricao-informacao-troca-tecnologia

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *