Um levantamento da KPMG com a participação de 725 líderes de compliance das maiores empresas do mundo apontou que, para 33% dos entrevistados, as novas exigências regulatórias deverão ser o maior desafio que a área enfrentará nos próximos dois anos. Em segundo lugar (31%), eles citaram análise de dados e modelagem preditiva; e em terceiro (25%), compliance e gerenciamento de riscos.
Para enfrentar tais riscos regulatórios, além de cibernéticos e de terceiros, a pesquisa revelou ainda que os líderes elencaram três fatores principais: o aumento da resiliência operacional, o potencial da inteligência artificial (IA) e a mudança de perfil da área de compliance.
“Desde uma aplicação anticorrupção mais robusta na China e na França até as investigações do regulador financeiro alemão, a supervisão regulatória está intensificando-se e continuará a impulsionar a necessidade de uma estrutura de compliance mais ética e robusta. A mudança tecnológica impulsionada pelos avanços da IA está mais vertiginosa do que nunca. E tudo isso está acontecendo enquanto mudanças geopolíticas cada vez mais imprevisíveis tornam os negócios mais complexos. No Brasil, a crescente complexidade regulatória e maior busca por tecnologia, transparência e integridade reforçam ainda mais a necessidade de programas de compliance resilientes e preparados para um ambiente de riscos em constante transformação”, avalia o sócio-líder da área forense da KPMG no Brasil e América do Sul, Emerson Melo.
Prioridade de investimento:
Ao avaliar o aumento de orçamento em compliance, a grande maioria dos entrevistados disse que a análise de dados (77%) e a segurança cibernética e privacidade de dados (75%) são as principais áreas que eles estão analisando para investimentos adicionais. Os líderes esperam ainda fazer aportes em automação de processo (50%) e no aprimoramento das habilidades dos profissionais (49%).
Uso da tecnologia em compliance:
Sobre o uso de tecnologias como automação, inteligência artificial (IA) e aprendizado de máquina, os executivos revelaram que estão implementando tais recursos com maior frequência para avaliação e gerenciamento de riscos (50%), visualização de dados e análise preditiva (44%), e treinamento e conscientização de funcionários (44%). Contudo, o uso de IA ainda é restrito a tarefas como elaboração e revisão de documentos legais (17%), compliance de contratos e antilavagem de dinheiro (12%) e canais de denúncia (4%).
Compliance como um fator estratégico:
O levantamento mostrou também que os líderes estão dispostos a mudar a percepção da função de compliance: 81% disseram estar confiantes em colaborar com as equipes de segurança cibernética; 68% esperam atuar com a área de resiliência e continuidade dos negócios; e 67% avaliam a sinergia com outros setores como jurídico, recursos humanos e operações.
“Os líderes de compliance estão colaborando cada vez mais entre as áreas para prestar suporte aos objetivos de negócio, que deixará de ser um centro de custo e passará a ser uma unidade estratégica que possa melhorar a reputação da marca e gerar valor”, finaliza a sócia-diretora líder de gestão de riscos corporativos e compliance da KPMG no Brasil, Thaís Mendonça.
O link de acesso à Pesquisa Global com Diretores Globais de Ética e Compliance é o seguinte:2026 KPMG Global Chief Ethics and Compliance Officer Survey