Adoção de pagamentos em tempo real e avanço regulatório colocam região em evidência na integração entre blockchain e sistema financeiro tradicional
A infraestrutura de pagamentos em tempo real já atingiu maturidade nos principais mercados da América Latina. O Pix, no Brasil, e o SPEI, no México, demonstram que sistemas nacionais de pagamentos podem ser reconstruídos desde a base. As instituições financeiras latino-americanas não estão integrando a camada de ativos digitais ao sistema financeiro partindo do zero. Elas estão expandindo trilhos de pagamentos instantâneos que já operam em escala.
Esse raciocínio é defendido pela Fireblocks, plataforma que assegura mais de US$ 4 trilhões em transferências de ativos digitais anualmente, a partir de respostas obtidas no Brasil, Argentina, México, Estados Unidos e Canadá. Os dados fazem parte do estudo The Financial Grid: Banking, Digital Assets, And The Infrastructure Decisions Defining 2026, que analisa como o sistema financeiro global está incorporando ativos digitais à sua infraestrutura.
Esse cenário cria um desafio de integração diferente do observado em outras regiões do mundo e ajuda a explicar por que 69% das instituições da América Latina apontam a transformação da infraestrutura financeira como um dos principais direcionadores estratégicos. É o maior índice global registrado pela pesquisa. Mais do que uma nova direção, trata-se da próxima etapa de uma infraestrutura que já está em movimento.
Confira alguns destaques da Fireblocks:
Pagamentos lideram, mas ambição vai além
Liquidação em tempo real e pagamentos 24/7 lideram as prioridades de uso, com 92% das instituições classificando esses temas como centrais ou altamente relevantes. Em seguida aparecem pagamentos transfronteiriços e câmbio, com 83%.
Em uma região onde os sistemas domésticos de pagamentos instantâneos já estão consolidados, os dados indicam que as instituições estão construindo a camada de ativos digitais sobre estruturas já existentes. O foco agora deixa de ser apenas o pagamento doméstico e passa a incluir os corredores internacionais de movimentação de recursos.
Os dados também mostram uma ambição adicional. Cerca de 61% das instituições latino-americanas consideram essencial o suporte de infraestruturas de mercado financeiro para emissão de ativos digitais, o maior índice entre todas as regiões analisadas. Isso indica que as instituições da região não pretendem apenas movimentar valor, mas também emitir instrumentos financeiros digitais sobre essa infraestrutura.
Principal obstáculo está dentro das próprias instituições
A pesquisa mostra que 93% das instituições da região avaliam que a regulação em desenvolvimento será favorável ou muito favorável ao mercado de ativos digitais. O ambiente externo, portanto, já não é visto como a principal barreira para avanço do setor.
O principal desafio passa a estar dentro das próprias organizações.
Estruturas internas de governança aparecem como obstáculo relevante para 47% das instituições latino-americanas, o maior percentual global e 11 pontos percentuais acima da média mundial. Em seguida aparecem maturidade operacional, com 39%, e processos de aprovação ligados a risco e compliance, com 38%.
Segundo o levantamento, a infraestrutura de ativos digitais já possui orçamento, direcionamento estratégico e maior confiança regulatória. O que ainda desacelera a implementação é a capacidade das instituições de avançarem internamente em processos de aprovação e execução operacional.
Da infraestrutura de pagamentos instantâneos aos ativos digitais
A pesquisa aponta que, à medida que as instituições latino-americanas transformarem planejamento em produção, a região deve consolidar uma das infraestruturas financeiras digitais mais avançadas do mundo, construída sobre sistemas de pagamentos instantâneos que já demonstraram capacidade de operar em escala.
A ambição para emissão de ativos digitais é hoje a maior entre todas as regiões analisadas. A base de pagamentos já existe. A conexão entre blockchain e sistema financeiro tradicional deixou de ser dúvida. O ritmo dessa transformação dependerá da velocidade com que as instituições conseguirem adaptar seus modelos internos de governança e operação.
Imagem: https://pt.vecteezy.com/foto/72912512-uma-grandes-corredor-com-muitos-telas-mostrando-diferente-imagens