Entenda o que alinhar com a TI antes de testar dashboards, relatórios e automações com informações internas
Usar inteligência artificial para analisar planilhas, criar dashboards e apoiar automações pode economizar tempo no trabalho. Mas, quando os dados são da empresa, o cuidado precisa ser maior. Nem toda planilha pode ser enviada para qualquer ferramenta, e nem todo teste deve ser feito sem orientação.
Para Daniel Delgado (@doutoresdoexcel no Instagram), especialista em análise de dados e inteligência artificial aplicada à produtividade, profissionais de áreas como vendas, financeiro, marketing e operações podem ganhar autonomia com IA, desde que tenham o ambiente certo para testar.
Segundo ele, a tecnologia permite que o profissional descreva o problema e construa soluções com mais rapidez, sem necessariamente virar programador. Mas isso não elimina a necessidade de apoio técnico.
“Você não vira programador. A IA faz o trabalho pesado. O que muda é a ordem do pensamento: você para de se preocupar com o ‘como eu faço’ e passa a pensar no ‘o que eu quero’”, afirma.
1 – Por que envolver a TI?
A área de tecnologia ajuda a definir quais ferramentas podem ser usadas, quais dados podem entrar nos testes e quais limites precisam ser respeitados. Isso evita que informações sensíveis, como bases de clientes, dados financeiros, contratos ou relatórios internos, sejam expostas em plataformas não autorizadas.
Para Daniel, o ideal é que a área de negócio não espere tudo ficar pronto, mas também não comece de qualquer jeito. O primeiro passo é pedir um ambiente seguro para testar.
2 – O que pedir antes de começar?
O profissional pode conversar com a TI sobre três pontos principais: uma IDE ou ferramenta aprovada para desenvolver a solução, acesso a uma IA premium ou aprovada pela empresa e apoio para testar com segurança.
Uma IDE é um software usado por programadores profissionais para escrever e organizar códigos. Porém, com o surgimento da IA, agora quem gera os códigos é a própria IA. Você pede em linguagem natural e ela vai criando para você, desde gerar novos arquivos, planilhas, arquivos de texto até Dashboard, automações e sistemas completos. Por isso, a TI orienta sobre acesso, permissões, dados e segurança.
A proposta não é substituir a equipe técnica, mas reduzir a fila de tarefas simples e permitir que as áreas resolvam problemas menores com mais autonomia.
3 – Que tipo de solução pode sair daí?
Com esse apoio, uma área pode criar um painel para acompanhar vendas, um relatório que atualiza indicadores, uma busca em uma base autorizada ou uma ferramenta simples para organizar dados de clientes, produtos ou despesas.
O ponto, segundo Daniel, é começar por um problema claro. Antes de pedir uma ferramenta, o profissional precisa saber o que quer resolver: encontrar erros em planilhas, acompanhar metas, apoiar uma conferência ou transformar uma base em dashboard.
4 – Qual cuidado não pode faltar?
A IA pode acelerar o trabalho, mas o resultado precisa ser conferido. A ferramenta pode montar uma lógica, sugerir gráficos e organizar dados, mas a decisão continua sendo humana.
Também é importante evitar o uso de dados reais logo no primeiro teste. Uma alternativa é começar com uma base fictícia ou sem informações sensíveis. Depois, com a validação da TI, a solução pode evoluir para um uso mais próximo da rotina da empresa.
Para Daniel, quem aprende a construir soluções com IA deixa de depender apenas da fila de demandas e passa a resolver problemas com mais autonomia. “O ponto mais importante: profissionais comuns, que não são da área de tecnologia, agora podem construir suas próprias soluções. É como aprender a trabalhar com o Excel novamente, mas dessa vez, com muito mais possibilidades”, destaca.
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